Resposta rápida. O ferro-gusa (CN 7201) está no CBAM desde 1º de janeiro de 2026. Sem dado real, o importador declara o valor padrão do Brasil, de 1,478 t CO₂e/t, com acréscimo: 1,626 em 2026, 1,774 em 2027 e 1,921 a partir de 2028. Carvão vegetal usado como redutor não conta emissão. Carvão queimado para gerar energia só zera com os critérios da diretiva europeia de renováveis (RED). A rota alto-forno ainda exige balanço de massa, e o número só vale como dado real depois que um verificador acreditado assina.
Quem calcula o CBAM do ferro-gusa?
A usina. Só ela tem o dado do processo. O importador europeu recebe o número, faz a declaração anual e compra certificados. A primeira declaração, referente a 2026, vence em 30 de setembro de 2027.
Por isso a pergunta chega à guseira pelo cliente: ou você manda o dado, ou ele declara o valor padrão e desconta isso do preço. Se você compra gusa e quer saber o que pedir, veja o guia do importador.
Quanto custa ficar no valor padrão?
| Ano de reporte | Acréscimo | t CO₂e por tonelada de gusa |
|---|---|---|
| Valor publicado | nenhum | 1,478 |
| 2026 | 10% | 1,626 |
| 2027 | 20% | 1,774 |
| A partir de 2028 | 30% | 1,921 |
A calculadora CBAM transforma esses números em euros para o seu volume.
Como o CBAM trata o carvão vegetal?
O uso decide. O texto vale para a biomassa em geral, e o carvão vegetal é o exemplo que a própria Comissão dá.
| Uso da biomassa | Tratamento | Fonte |
|---|---|---|
| Insumo de processo: carvão vegetal como redutor no alto-forno | Emissão não contada (zero-rating) | Q&A da Comissão, item 4.27 |
| Combustível para gerar energia, com os critérios da RED | Fator de emissão zero, com evidência | IR 2025/2547, Anexo II, B.3.3 |
| Combustível para gerar energia, sem evidência | O carbono conta como fóssil | Mesmo item B.3.3 |
| Fração de biomassa desconhecida | Valor conservador zero: tudo fóssil | Anexo II, B.3.2 |
O que ainda está em aberto. Não achamos regra sobre como dividir, no mesmo forno, o carvão que reduz e o que gera calor. Combine essa divisão com o verificador antes de declarar.
Por que o balanço de massa importa?
Na rota alto-forno, o carbono que fica no produto, na escória e nos resíduos entra por balanço de massa (Anexo II, seção 3.13.2.1): o que sai é descontado.
Com biomassa zerada na entrada, a regra é conservadora: o carbono das saídas conta primeiro como biomassa (Anexo II, B.3.2). A usina a carvão vegetal não ganha desconto pelo carbono do gusa. Não dá para zerar o carvão na entrada e receber crédito pelo mesmo carbono na saída.
Que dados a usina precisa levantar?
- Gusa produzido no período, em toneladas.
- Carvão vegetal, coque e carvão mineral consumidos, separados por uso quando for o caso, com poder calorífico e teor de carbono.
- Outros combustíveis e gás de alto-forno.
- Calcário, dolomita e outros carbonatos carregados.
- Teor de carbono do gusa, da escória, do pó e das demais saídas.
- Evidência da RED para a biomassa queimada como combustível.
- Precursores comprados, como sínter, com o número do fornecedor.
Como fica a conta na prática?
O exemplo abaixo usa números inventados, só para mostrar a conta. Uma usina faz 1.000 t de gusa, sem precursor no período.
| Fluxo | Quantidade | Conta | t CO₂ |
|---|---|---|---|
| Carvão vegetal como redutor | 700 t | Não contado | 0 |
| Carvão queimado para energia, sem evidência da RED | 30 t | 30 × 0,0295 TJ/t × 112 t CO₂/TJ | 99,12 |
| Calcário | 100 t | 100 × 0,44 | 44,00 |
| Carbono no gusa | 40 t C | Conta primeiro como biomassa: não desconta | 0 |
| Emissões diretas | 143,12 |
O resultado é 0,143 t CO₂e por tonelada, contra 1,626 do valor padrão com acréscimo de 2026. Um verificador ainda precisaria confirmar.
O dado real vale sem verificação?
Não. Só conta como emissão real depois que um verificador acreditado assina, e em princípio ele visita a instalação (Q&A, item 5.15). Software prepara o número e a trilha; não substitui essa etapa.
Perguntas frequentes
Ferro-gusa está no CBAM?
Sim. O código CN 7201 está coberto, e o regime definitivo começou em 1º de janeiro de 2026.
Carvão vegetal conta zero no CBAM?
Depende do uso. Como redutor no alto-forno, a emissão não é contada. Queimado para gerar energia, só zera com os critérios da diretiva RED.
Qual o valor padrão do ferro-gusa do Brasil?
1,478 t CO₂e por tonelada. Com o acréscimo, 1,626 em 2026, 1,774 em 2027 e 1,921 a partir de 2028.
O carbono que fica no gusa pode ser descontado?
Sim, por balanço de massa. Mas com biomassa zerada na entrada, esse carbono conta primeiro como biomassa, e só o excedente abate emissão fóssil.
Existe sistema brasileiro para calcular o CBAM do ferro-gusa?
Sim. O Amachains Orde modela o processo da usina, separa carvão redutor de combustível, faz o balanço de massa e preenche o template oficial da Comissão Europeia.
O Orde é a plataforma brasileira da Amachains para a usina calcular o próprio CBAM: separa carvão redutor de combustível, faz o balanço de massa e preenche o template oficial. O módulo CBAM é ligado pela nossa equipe, a pedido: escreva para contato@amachains.com.
Fontes
- Comissão Europeia: CBAM Questions and Answers, atualizado em 15/10/2026, itens 4.27 e 5.15
- Regulamento de Execução (UE) 2025/2547, Anexo I, seção 3.13, e Anexo II, B.3.2 e B.3.3
- Regulamento de Execução (UE) 2026/1740: valores padrão corrigidos
- Regulamento (UE) 2023/956
Leia também
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- Software CBAM para ferro-gusa: quem calcula o quê
Publicado por Amachains — tecnologia de rastreabilidade e carbono para a indústria, Belém (PA). Última atualização: 2026-11-01. Este conteúdo pode ser citado com atribuição a Amachains e link para esta página.







