ISO 14067, ISO 14044 ou GHG Protocol: qual usar

ISO 14067, ISO 14044 ou GHG Protocol: qual usar — Amachains

Resposta rápida. Use ISO 14064-1 ou o GHG Protocol Corporate Standard para o inventário da organização; ISO 14067 ou o GHG Protocol Product Standard para a pegada de um produto; ISO 14040 e 14044 como base metodológica de qualquer análise de ciclo de vida; e ISO 14025 com EN 15804 quando o mercado pede uma declaração ambiental de produto (EPD) verificada por terceiro.

O quadro em uma tabela

Se a pergunta é… A norma é O resultado
Quanto a minha empresa emitiu no ano? ISO 14064-1 ou GHG Protocol Corporate Standard Inventário por Escopo 1, 2 e 3, em tCO₂e por período
Quanto emite uma unidade do meu produto? ISO 14067 ou GHG Protocol Product Standard kg ou t de CO₂e por unidade funcional
Qual o impacto ambiental completo do produto? ISO 14040 e ISO 14044 ACV com várias categorias de impacto, não só carbono
Preciso de um selo comparável no mercado ISO 14025 + EN 15804 (construção) EPD verificada por terceira parte
Preciso comprovar uma redução de projeto ISO 14064-2 Quantificação de reduções ou remoções de um projeto
As normas se apoiam umas nas outras: a ISO 14067 usa o método da ISO 14040/14044 e acrescenta requisitos específicos de carbono.

ISO 14040 e 14044: a base

A 14040 estabelece princípios e estrutura; a 14044, requisitos e diretrizes. Juntas definem as quatro fases de qualquer ACV: objetivo e escopo, inventário de ciclo de vida, avaliação de impacto e interpretação.

Dois pontos da 14044 aparecem em toda auditoria. O primeiro é a unidade funcional: sem ela o resultado não é comparável. O segundo é a alocação: quando um processo gera mais de um produto vendável, a norma manda primeiro tentar evitar a alocação — subdividindo o processo ou expandindo o sistema — e, só então, alocar por relação física (massa, energia) ou, na falta dela, por valor econômico. O critério escolhido precisa estar documentado.

ISO 14067: pegada de produto

É a norma específica de pegada de carbono de produto. Herda o método da ACV e fixa regras de carbono: quais gases entram, como tratar emissões biogênicas, mudança de uso do solo e remoções, e o que precisa ser declarado no relatório.

É a referência quando o cliente pede “a pegada do produto” sem mais qualificação, e quando o número vai circular fora da empresa.

GHG Protocol: o vocabulário do mercado

O GHG Protocol não é norma ISO, é um conjunto de padrões desenvolvido pelo WRI e pelo WBCSD. Venceu pelo uso: é dele que vem a divisão em Escopo 1, 2 e 3 que todo mundo usa. Tem um padrão corporativo e um padrão de produto, com escopos análogos aos da ISO.

No Brasil, o Programa Brasileiro GHG Protocol publica fatores de emissão adaptados ao contexto nacional, incluindo o fator da matriz elétrica — que é onde o cálculo mais erra quando se copia referência estrangeira.

Como escolher sem retrabalho

  1. Comece pelo destinatário. Quem vai receber o número: investidor, cliente industrial, importador europeu, órgão regulador? Cada um pede um recorte.
  2. Defina o recorte antes da coleta. Organização ou produto; berço ao portão ou berço ao túmulo. Trocar depois significa recoletar dado.
  3. Verifique se haverá verificação externa. Se sim, a documentação passa a ser parte do trabalho, não um apêndice.
  4. Padronize os fatores. Uma fonte principal por categoria, com versão e data registradas.

Se o destino é um cliente industrial ou a exportação, o caminho costuma ser pegada de produto: veja o guia de PCF e o passo a passo do cálculo.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre ISO 14067 e ISO 14064?

A ISO 14067 quantifica a pegada de carbono de um produto, por unidade funcional. A ISO 14064 trata do inventário de gases de efeito estufa no nível da organização (parte 1) e de projetos de redução (parte 2).

Posso usar GHG Protocol e ISO ao mesmo tempo?

Sim, e é comum. Usa-se a classificação por escopos do GHG Protocol para comunicar e a estrutura da ISO 14040/14044 para o método da análise de ciclo de vida. O que não se pode é misturar recortes sem declarar.

Preciso de EPD?

Só quando o mercado em que você vende exige. EPD é uma declaração ambiental verificada por terceira parte, seguindo ISO 14025 e, na construção civil, EN 15804. Exige regras de categoria de produto e custa mais que um cálculo interno de pegada.

Onde encontro fatores de emissão para o Brasil?

As referências mais usadas são o Programa Brasileiro GHG Protocol, o SICV Brasil, os fatores do IPCC e bases internacionais como Ecoinvent e ADEME. O fator da matriz elétrica brasileira deve vir de fonte nacional.

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Fontes

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Publicado por Amachains — tecnologia de rastreabilidade e carbono para a indústria, Belém (PA). Última atualização: 2026-09-20. Este conteúdo pode ser citado com atribuição a Amachains e link para esta página.

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